
Eu sei que você acha que eu quebrei com várias de minhas promessas. Mas não é assim. Você foi mudando o seu jeito e, então, eu me vi obrigada a mudar também. Não era a minha intenção te magoar, muito menos, me afastar desse modo. Mas, querido, aconteceu. Eu queria que você voltasse dizendo que a minha ausência está se fazendo presente nos seus dias e que isso está te incomodando. Eu queria que você me ligasse contando que tentou sair com novas pessoas, tentou conhecer novos lugares, tentou me tirar do seu pensamento, mas nada deu certo. Eu queria ligar o rádio e ouvir aquela nossa música. Mas parece que tudo faz questão de nos afastar ainda mais. A nossa música não toca mais no rádio. Falta-me tempo para te procurar. Os meus dias têm sido mais turbulentos que nunca. Tudo está contribuindo para que nós fiquemos distantes. E você parece não se importar. Quando te procuro, me pede para ficar e diz que te faço falta. Quando não te procuro, me deixa te esperando sem mandar sequer um sinal. Em meu peito ainda bate um coração que é inteiramente seu e, talvez, por saber disso, você esteja esperando por um tempo. Quem sabe amanhã decida me procurar… Mas amanhã já pode ser tarde demais para nós dois. Ah, que bobagem a minha achar que esse meu ridículo amor tem prazo de validade. É claro que se amanhã você decidir me procurar, eu vou sorrir e te aceitar. Mas saiba que não queria que fosse assim. Queria que esse amor fosse passageiro, que fosse somente paixão, que durasse somente até janeiro, não sei. E, às vezes, me pego pensando em você, no seu sorriso e em tudo que nós já vivemos. Não te faço falta, querido? Talvez não. Seu tempo não tem passado com certa lentidão? Não? Pois o meu tem. Meu tempo tem passado com uma vagareza assustadora, causada pela sua ausência. Ah, agora eu vou deixar de bobagem. Não se preocupe, meu anjo. Eu vou parar de correr atrás. Vou te deixar livre, vou parar de te pressionar, vou tentar deixar de te amar. Está bem assim?

















