segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ela...



Ela virava noites com os olhos úmidos, pensando no que deixou de dizer, no que deixou de fazer, no que deixou de sentir por medo. Ela vagava por ruas estranhas, desejando que ele a encontrasse em qualquer esquina. Ele aparecia, dizia que a amava, e logo depois sua mãe lhe acordava alguns estalos de dedos diante de sua face, dizendo a seguinte frase para a frágil menina: “Pare de sonhar acordada, minha filha”. Ela abria os olhos, ela sorria, ela fingia. E o pior era que as pessoas não percebiam que era tudo atuação. Seu coração em pedaços gritava por atenção, ou então, gritava apenas pelo tal garoto. Seus sorrisos radiantes pela manhã, escondiam suas noites mal dormidas. Pobre menina sofrida morna esquisita atrapalhada invisível. Isso, sem vírgulas. Com pressa. Com sede de final, com vontade de que tudo passe rápido, por conta de sua timidez. Ou então, por conta de sua dor que já transbordava por seus olhos. Para terceiros: menina risonha. Para o espelho: menina tristonha. Para ele: menina esquecida. Para ela: menina tentando esquecer um amor e encontrar um motivo para sorrir sem atuação

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